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Teresina investiu R$ 4 milhões na rede de atendimento à população em situação de rua

Até dezembro, a previsão é de que sejam destinados mais R$ 2,366 milhões para atender à demanda

Teresina investiu R$ 4 milhões na rede de atendimento à população em situação de rua
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Atendimento à população em situação de rua
Foto: Ascom Semcaspi

A Prefeitura de Teresina, por meio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), já investiu R$ 3,969 milhões na rede de atendimento à população em situação de rua. Até dezembro, a previsão é de que sejam destinados mais R$ 2,366 milhões para o melhoramento e a ampliação dos serviços ofertados a esse público.

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Entre os investimentos previstos está a realização de reparos e manutenção na Casa do Caminho, unidade de acolhimento institucional destinada a adultos em situação de rua, além da abertura da Casa do Caminho II, que vai ampliar a capacidade de acolhimento da rede municipal e fortalecer a oferta de atendimento especializado.

A definição e o direcionamento dos investimentos também têm como base as informações levantadas pelo Censo da População em Situação de Rua (PSR) 2025, realizado pela Semcaspi, em parceria com a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O levantamento permite à gestão conhecer com maior clareza o perfil, as características e as principais demandas identificadas entre as pessoas em situação de rua atendidas pela rede, contribuindo para um planejamento mais adequado dos serviços e para a aplicação dos recursos de acordo com as necessidades identificadas.

A coleta de dados foi realizada entre os dias 6 de outubro e 21 de novembro de 2025. Ao final dessa etapa, foram consolidados 747 registros coletados no Centro Pop e nos quatro Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) regionais. O levantamento reúne informações demográficas, sociais, de saúde e localização, oferecendo um diagnóstico preliminar para orientar a atuação da rede socioassistencial.

Entre os dados levantados, o Censo aponta que 68,6% das pessoas cadastradas estão na faixa etária de 30 a 59 anos (idade produtiva) e que 86,05% dos registros correspondem a homens. Em relação à origem, 60,1% dos entrevistados são naturais de Teresina, enquanto 39,9% vieram de outros municípios ou estados. O levantamento também mostra que 52,5% declararam possuir familiares na capital.

Outro dado importante para a formulação das políticas públicas é o tempo de permanência nas ruas. Segundo o levantamento, 47,8% dos entrevistados estão nessa condição há mais de cinco anos, sendo que 23,9% relataram viver nas ruas há mais de uma década. O cenário reforça a necessidade de ações continuadas e articuladas, que considerem não apenas o atendimento imediato, mas também a reconstrução de vínculos, o acesso a direitos e as possibilidades de reinserção social.

O diagnóstico também evidencia demandas relacionadas à saúde. Entre os entrevistados, 27,8% relataram possuir doenças crônicas e 27,2% fazem uso regular de medicamentos. O consumo de substâncias psicoativas foi informado por 74,1% dos entrevistados, dado que reforça a importância da articulação entre a assistência social e a rede de saúde no atendimento a esse público.

Rede de atendimento

A rede de atendimento à população em situação de rua em Teresina reúne serviços da assistência social e ações articuladas com outras políticas públicas, com o objetivo de garantir acesso a direitos, atender necessidades imediatas e criar caminhos para a reconstrução de vínculos e a retomada da autonomia.

Entre os principais equipamentos está o Centro Pop, unidade de referência para a população em situação de rua, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. O espaço oferece atendimento com assistentes sociais e psicólogos,
atendimento jurídico, apoio para regularização de documentos e acesso ao CadÚnico e benefícios, além de serviços como higiene pessoal, guarda-pertences e corte de cabelo. A unidade também realiza encaminhamentos conforme as necessidades identificadas pela equipe técnica e atua na reconstrução de vínculos familiares, inclusive com a intermediação de contatos entre usuários e familiares.

A segurança alimentar também integra a rede de proteção. A população em situação de rua conta com acesso a refeições por meio dos restaurantes populares e de jantares distribuídos em diferentes pontos e territórios da capital, ampliando a oferta de alimentação para esse público.

Outro serviço que integra as ações voltadas à população em situação de rua é o Carro do Banho, que leva diretamente aos territórios uma estrutura para banho e cuidados de higiene pessoal. Além do acesso ao banho, são disponibilizados kits de higiene e roupas, ampliando os cuidados básicos oferecidos a esse público. A iniciativa também atua de forma integrada com o Consultório na Rua, da Fundação Municipal de Saúde (FMS), possibilitando a aproximação com os serviços de saúde e o atendimento às demandas identificadas durante as ações.

Faz parte também da rede de atendimento a Casa do Caminho, unidade de colhimento institucional da Proteção Social Especial de Alta Complexidade destinada a adultos de 18 a 59 anos em situação de rua. O espaço tem capacidade para 45 acolhidos e oferece acolhimento provisório, alimentação e acompanhamento individualizado, com foco no fortalecimento de vínculos e na construção de novas possibilidades de autonomia.

O atendimento na Casa do Caminho é estruturado a partir de um Plano Individual de Atendimento (PIA), elaborado por equipe multidisciplinar formada por psicólogos, assistentes sociais e educadores sociais. Durante o período de acolhimento, a unidade articula atendimentos e encaminhamentos com equipamentos e órgãos como Centro Pop, Consultório na Rua, CAPS, CAPS AD, Defensoria Pública, SINE e postos de identificação.

A atuação não se limita aos equipamentos físicos. O atendimento é complementado pelo Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), que realiza a aproximação com pessoas em situação de rua nos territórios, identifica demandas e realiza orientações, acompanhamentos e encaminhamentos para os serviços da rede socioassistencial.

Dessa forma, a política de atendimento busca atuar em diferentes frentes, desde necessidades imediatas, como alimentação, higiene e documentação, até demandas que exigem acompanhamento continuado, como acesso a benefícios, saúde, fortalecimento de vínculos familiares, acolhimento institucional e construção de estratégias para a retomada da autonomia.

Fonte/Créditos: PMT

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