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Assembleia Legislativa discute a prevenção de acidentes com substâncias cáusticas

O número de acidentes com materiais corrosivos, como água sanitária, soda cáustica e baterias têm aumentado no Piauí

Assembleia Legislativa discute a prevenção de acidentes com substâncias cáusticas
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A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) realizou, nesta segunda-feira (14), audiência pública para debater políticas públicas para o fortalecimento e efetividade da campanha “Fora Cáusticos” no Piauí. O requerimento foi feito pelo vice-presidente da Alepi, Francisco Limma (PT) e reuniu representantes de órgãos e entidades voltados à causa. A ação busca conscientizar sobre os riscos de acidentes domésticos e lesões no sistema digestivo causados pela ingestão de produtos químicos e de limpeza, especialmente em crianças menores de cinco anos. 

Escolhida para apresentar o tema ao público, a presidente da Sociedade de Gastroenterologia do Piauí, Dra. Jocelí Oliveira dos Santos, explicou as dimensões do problema. “A intoxicação por produtos cáusticos é subnotificada no Brasil, ainda assim temos uma crescente, chegando a mais de 4 mil casos no ano passado, sendo quase 80% dos casos envolvendo crianças de menos de 5 anos, geralmente por ingestão acidental de produtos domésticos. Mesmo diante desse cenário, não temos protocolo, um fluxo de atendimento, um registro claro para embasar políticas públicas. É uma questão que não pode ser vista como acidente doméstico, precisamos encarar como um problema coletivo que necessita de intervenção do Estado”, comentou a profissional.

O presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva Capítulo Piauí, Dr. Daniel Dutra, comentou sobre duas frentes importantes a serem trabalhadas: a prevenção e o tratamento rápido. “Precisamos prevenir os acidentes impedindo a comercialização indevida dos produtos cáusticos, mas também conscientizar as famílias sobre os perigos dessas substâncias. Além disso, é necessário termos um plano muito bem estabelecido sobre como cuidar desses pacientes, ter protocolos no primeiro atendimento. Um outro detalhe importante de ser comentado é que a endoscopia de urgência precisa ser ofertada nos hospitais regionais, não é um exame tão complexo assim para não estar mais popularizado”, comentou o médico.

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A representante do Ministério Público do Piauí, promotora Karla Daniela Carvalho, destacou que, dentre as possíveis soluções para a causa, está a criação de um dia D na campanha estadual de conscientização sobre os perigos da causa. “Mesmo sendo apenas um dia, ainda assim a campanha ajuda a conscientizar e informar mais os profissionais e a população. Além disso, é preciso trabalhar para combater a subnotificação dos casos, já que isso compromete a destinação adequada de recursos para trabalhar aquele problema”, disse Karla Carvalho.

O médico endoscopista Dr. Wladimir Burlamaqui destacou que é importante criar um protocolo de prevenção: “Nós acabamos atuando quando as medidas de prevenção falharam”, criticou. Para Burlamaqui, é preciso criar um protocolo e realizar campanhas educativas. “Quando uma criança tem um acidente, temos que desmistificar. Não tem que provocar vômito. Isso só vai agravar. Outra ideia errônea é usar substâncias neutralizantes, como limão, isso vai agravar a lesão. Essa orientação tem que ser dada em campanhas”.

Francisco Limma, já definindo os encaminhamentos da audiência pública, concordou com a realização de mais campanhas. O deputado acrescentou que as iniciativas da Atenção Básica devem ser mais integradas, que os conselhos estaduais e municipais deveriam pautar mais a temática e que vai apresentar para a Comissão de Saúde da Alepi e a outras instituições o pedido para a criação de um fluxo de atendimento.

Dra. Joceli Oliveira dos Santos acrescentou que é preciso a realização de cursos de capacitação para os profissionais de saúde e que as escolas e as famílias recebam mais informações. A médica reforçou que o fluxo de atendimento tem que ser mais bem elaborado para que o acesso aos sistema de saúde seja mais rápido e, por fim, defendeu a criação de uma legislação sobre o assunto.

  

Fonte/Créditos: Alepi

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