
O Brasil vem assistindo um espetáculo dantesco, o verdadeiro "circo dos horrores", protagonizado no Congresso Nacional, onde o que está em jogo não é o interesse coletivo, a ética, a Justiça, mas o poder a qualquer preço. A semana foi para ser apagada da história do parlamento brasileiro, pautas indecentes que fizeram Ulisses Guimarães se contorcer no túmulo [que escolheu para repousar].
As excrescências começaram na calada da noite de terça-feira (9), entrando pela madrugada de quarta-feira (10), quando o todo poderoso presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou e aprovou a redução das penas de Bolsonaro e outros golpistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado.
O mentor do golpe, Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão deverá cumprir pouco mais de dois anos de cadeia, se o Senado referendar a proposta indecente, escandalosa, de Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do substititivo ao Projeto de Lei 2162/23, do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que anistiava aos golpistas.

Virada de mesa
Hugo Motta, tentando justificar a aberração parida pela Direita e pelo Centrão, chamou a "virada de mesa" da Câmara de "virada de página", segundo ele para entrar em 2026 com novos assuntos e projetos. "Quando desequilibramos para um polo ou para outro, às vezes não estamos fazendo o que é justo, mas querendo agradar a um dos lados. O que esta Casa fez hoje aqui não foi para agradar um dos lados, mas foi para dizer que é sensível a pessoas que receberam penas exageradas e não cumpriram papel central no que aconteceu no dia 8", justificou o "soberano" da Câmara.
Dois pesos...
Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), mesmo a CCJ tendo decidido (32 votos a 2) pela cassação de Zambelli. No Plenario, prevaleceu o "espírito de corpo": 227 votos pela perda do mandato e 110 contra. Para aprovar a cassação do mandato, seriam necessários 257 votos. Portanto, a representação da Mesa Diretora contra a deputada está arquivada.
Carla Zambelli foi condenada em definitivo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de reclusão por mandar invadiros sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela está presa na Itália depois de fugir do Brasil, em decorrência do trânsito em julgado do processo no STF. O Supremo aguarda a extradição.
Duas medidas
O mesmo Plenário da Câmara dos Deputados suspendeu por seis meses, o mandato do deputado Glauber Braga (Psol-RJ). Foram 318 votos a favor e 141 contra e 3 abstenções à emenda do PT que propôs a suspensão em alternativa à cassação do mandato defendida pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.
Glauber Braga, crítico ferrenho das manobras do presidente Hugo Motta, foi acusado pelo partido Novo de ter faltado com o decoro parlamentar ao expulsar da Câmara, em abril do ano passado, com empurrões e chutes, o então integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro. Em sua defesa, Glauber afirmou que agiu contra Costenaro após sofrer perseguição por parte dele e por ofensas proferidas por ele contra sua mãe, que sofria com mal de Alzheimer avançado.
Fonte/Créditos: PAULO PINCEL
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