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Um relatório do Coaf mostra que Daniel Vorcaro continuou a financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL), após a data em que Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que os pagamentos haviam terminado. A informação foi revelada pela revista piauí nesta terça-feira 1º.
Segundo o documento obtido pelo veículo, Vorcaro transferiu 1,6 milhão de dólares, em 16 de setembro de 2025, para o Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas que recebia os recursos destinados à produção. O repasse ocorreu oito dias depois de Flávio ter cobrado o banqueiro por parcelas atrasadas.
A nova transferência contradiz uma declaração do senador em entrevista à GloboNews, em 14 de maio. Ao tentar explicar um áudio em que cobrava dinheiro de Vorcaro para o longa, Flávio afirmou que o último pagamento havia ocorrido em maio de 2025.
A declaração não corresponde aos registros do Coaf. Com o pagamento de setembro, o total conhecido enviado por Vorcaro ao filme passou de 10,6 milhões para 12,3 milhões de dólares. O acordo entre as partes previa 24 milhões, divididos em 14 parcelas.
O pagamento também chama atenção porque ocorreu depois de uma cobrança direta de Flávio. Em áudio enviado a Vorcaro em 8 de setembro, o senador disse que havia muitas parcelas atrasadas e que a equipe estava sob pressão: “Como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso […]. A gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui.”
No mesmo áudio, o senador dizia que o filme estava em um momento decisivo e alertava para as consequências da falta de dinheiro, citando a possibilidade de perda de atores, diretor e equipe.
Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje.”
Miranda então escreveu: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb.”
Vorcaro pediu que Miranda transmitisse suas desculpas a Flávio pelos atrasos nas parcelas. A conversa, porém, não informa o valor do pagamento nem permite confirmar que a transferência tenha efetivamente sido realizada. Caso tenha sido outra parcela de 1,6 milhão de dólares, o total desembolsado por Vorcaro chegará a pelo menos 14 milhões de dólares, cerca de 72 milhões de reais.
A nova informação vem à tona em meio a uma cobrança que Flávio ainda não esclareceu. Em maio, depois de o Intercept Brasil revelar as mensagens e o áudio em que ele pedia dinheiro a Vorcaro, o senador prometeu que pediria à produtora Go Up Entertainment e ao das despesas do filme em até 30 dias.
O prazo passou sem que os dados fossem divulgados publicamente. Em julho, nem Flávio nem a produtora haviam apresentado a prestação de contas prometida.
https://piaui.uol.com.br/revista/240/caixa-preta-flavio-bolsonaro-vorcaro-dark-horse/
Em agosto, o senador passou a afirmar que o balanço já havia sido feito pela produtora e chamou o caso de “página virada”. Dias depois, Flávio recuou da promessa de prestar os esclarecimentos pessoalmente. Ao ser questionado sobre o contrato com Vorcaro, afirmou que não era sua responsabilidade apresentá-lo. “Não cabe a mim”, disse.
A campanha passou a atribuir à Go Up a responsabilidade pela divulgação dos dados.
Na entrevista à TV Globo em 28 de agosto, Flávio Bolsonaro voltou a evitar detalhes sobre o contrato e disse que sua participação no filme havia se limitado a autorizar o uso de sua imagem e a captar investidores. Também afirmou que não havia firmado contrato com Vorcaro.
Em contato com CartaCapital, a campanha de Flávio Bolsonaro disse que a Go Up é a responsável pela gestão do dinheiro e é ela que deveria ser questionada sobre isso. A reportagem tenta contato com a produtora. O espaço segue aberto.
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Fonte/Créditos: Carta Capital
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