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Quinta-feira, 22 de Outubro 2026
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STF vai julgar Ricardo Salles por suposto esquema de facilitação de contrabando de madeira

Ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República

STF vai julgar Ricardo Salles por suposto esquema de facilitação de contrabando de madeira
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e fixou a competência da Corte para processar e julgar o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, atual deputado federal, por suposto envolvimento em um esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais. A decisão segue o entendimento fixado pelo Supremo este ano sobre foro por prerrogativa de função. 

Salles foi denunciado por facilitar o contrabando de madeira extraída da Amazônia. A investigação contra ele havia sido aberta junto ao STF em maio de 2021, no âmbito da Operação Akuanduba, mas acabou sendo enviada à primeira instância da Justiça Federal do Pará em julho daquele ano.

Nova orientação

De acordo com a nova jurisprudência da Corte (HC 232627 e INQ 4787), a prerrogativa de foro, para crimes cometidos no cargo e em razão dele, deve ser mantida mesmo após a saída da função. Moraes acolheu a manifestação da PGR de que, no caso, está configurada a competência do STF, uma vez que as infrações foram praticadas durante a gestão de Salles como ministro de Estado do Meio Ambiente e têm relação com as funções desempenhadas. 

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A decisão foi tomada na Petição (PET) 8975, agora autuada como Ação Penal (AP 2705).

Caso

A notícia-crime foi apresentada por parlamentares em 2020 com base em declaração feita por Salles em reunião ministerial em que sugeria “passar a boiada”, referindo-se à flexibilização de normas ambientais.

A pedido da PGR, o procedimento chegou a ser arquivado, mas, com o surgimento de novas provas, foi reaberto. As investigações mostraram a ação coordenada de ocupantes de cargos em comissão do Ministério do Meio Ambiente, indicados pelo ex-ministro para garantir interesses ilegítimos de empresas madeireiras. 

Elementos de prova indicaram ainda que esses supostos crimes teriam ocorrido, primordialmente, em Altamira (PA). Com isso, o relator enviou o caso à Justiça Federal paraense. Na primeira instância, em agosto de 2023, a PGR apresentou denúncia contra 22 pessoas, incluindo Salles, que responde por associação criminosa, facilitação ao contrabando de produtos florestais, advocacia administrativa e obstrução à fiscalização ambiental.

Leia a íntegra da decisão.

Fonte/Créditos: STF

Paulo Pincel

Publicado por:

Paulo Pincel

Jornalista, criador de conteúdo

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