A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) recepcionou, no domingo (22), em Teresina, os estudantes eleitos para o Parlamento do Futuro. O projeto desenvolvido pela Alepi através da Escola do Legislativo Professor Wilson Brandão e em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e Justiça Eleitoral do Piauí, traz para o Poder Legislativo a presença de 30 estudantes de várias regiões do Piauí.
Eles chegaram em Teresina em vans e ônibus vindos de diferentes municípios e foram recepcionados no Blue Tree Towers Teresina. Entre malas, mochilas e olhares atentos, os jovens parlamentares desciam dos veículos carregando expectativas e curiosidade sobre o funcionamento da Casa. Para muitos, a viagem representou mais do que a participação em um projeto educacional — foi a primeira vez na capital.
Eleitos pelos colegas em dezembro de 2025, os estudantes do ensino médio terão a oportunidade de vivenciar a rotina do Poder Legislativo na prática a partir desta segunda-feira (23).
Recepcionados por equipes da Alepi e da Seduc, os estudantes passaram por cadastramento biométrico e receberam orientações sobre o cronograma da semana. A programação incluiu ainda um curso de oratória ministrado pelo professor Luiz Marinho, preparando os participantes para os debates e pronunciamentos em plenário.
Até quarta-feira (26) irão vivenciar simulações de sessões legislativas, discutir propostas, elaborar projetos de lei e participar de atividades em comissões temáticas.
A proposta do Parlamento do Futuro vai além de uma visita institucional. Durante o projeto, os estudantes assumem simbolicamente o papel de deputados estaduais, exercitando a construção de argumentos, o diálogo entre diferentes pontos de vista e a formulação de soluções para problemas que impactam suas comunidades.
Parlamentares do Futuro relatam experiência única
Para Maria Karolinna, 17 anos, estudante da 1ª GRE, do CETI Lima Rebelo, de Parnaíba, a única candidata mulher de sua cidade e a mais votada, o interesse pela política já vinha de casa. “Sempre fui muito engajada, por influência do meu pai. Ele me levava para reuniões e eu queria entender melhor como tudo funcionava.” Sua proposta é a criação de um passe livre para estudantes do ensino médio e universitários inscritos no CadÚnico, permitindo acesso facilitado ao transporte para atividades acadêmicas, culturais e de lazer. “Quero compartilhar tudo o que aprender aqui com meus colegas do grêmio e com minha família. É uma experiência muito nova e estou muito feliz.”
Histórias como a de Maria Karolinna se repetem entre os novos parlamentares. Muitos relatam que o projeto despertou interesse por temas como educação, transporte, inclusão social e oportunidades para a juventude. Ao compreenderem as etapas de tramitação de uma proposta, passam a enxergar a política como um processo estruturado, que exige diálogo, técnica e responsabilidade.
De Bom Jesus, Lívia da Silva, 17 anos, estudante do CETI Franklin Dória, também já tinha contato prévio com a política, participando de congressos e palestras. No entanto, esta é sua primeira edição no Parlamento do Futuro. “Aqui estamos cara a cara com a democracia, vendo como funciona de perto.” Sua proposta trata de cidadania digital e do uso responsável das redes sociais, defendendo que o tema seja trabalhado de forma transversal nas disciplinas escolares. “As mídias digitais fazem parte do nosso cotidiano e também geram conflitos. Precisamos formar jovens mais éticos e conscientes nesse ambiente.”
Já João Bernardo, 16 anos, também do CETI Lima Rebelo, acredita que a falta de informação é um dos principais obstáculos para o engajamento juvenil. “Muitas vezes a política parece algo sem graça para o jovem. Com o Parlamento, tudo fica mais interessante.” Ele apresentou como proposta a criação de um Clube de Empreendedorismo no contraturno escolar, voltado a estudantes que desejam descobrir novas profissões e desenvolver projetos próprios. “Vi que as pessoas queriam mudança e me candidatei para tentar contribuir.”
Ao ocupar simbolicamente as cadeiras do Parlamento, os jovens experimentam o peso das decisões públicas e percebem que a política não é um espaço distante, mas um campo aberto à participação, se tornando cidadãos críticos, conscientes e participativos, independentemente de seguirem ou não carreira política no futuro.
Fonte/Créditos: Alepi
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