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A pornografia de IA

Tem aumentado o número de denúncias de crimes contra crianças e adolescentes no ambiente virtual

A pornografia de IA
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Mesmo tendo cogitado, anteriormente, não mais abordar a pornografia na internet numa perspectiva sociológico, o interesse em continuar a pesquisa exploratória se deu em razão de um fato novo: o uso da inteligência artificial (IA) pela indústria pornográfica.

Muitos estudos, como Human Sexual Cycles are Driven by Culture and Match Collective Moods (2014), mostram que há um aumento progressivo do consumo e pesquisas on-line de pornografia na internet – que vem desde os anos de 1980. Esse fato desperta a curiosidade sobre a interação cotidiana e os significados subjetivos – ou o interacionismo simbólico – que os voyeurs atribuem à pornografia e o aumento do “apetite sexual” por meios virtuais em diversos países.

Através do nosso estudo exploratório, nos cinco primeiros meses de 2026 pelo Chrome, utilizando o computador e celular, buscando pelas palavras “sexo” e “pornô” em vários dias da semana e horários, encontramos uma grande quantidade e variedade de sites, que oferecem imagens e vídeos eróticos sintéticos, com milhares de acessos, e para todos os gêneros, todos já usando a IA.

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Nesse contexto, por meio da abordagem sociológica de Max Weber, conhecida como Sociologia Compreensiva, é possível fazer uma interpretação do sentido que os voyeurs dão às suas ações. Ou seja, compreender as motivações por trás do comportamento dos voyeurs na internet, principalmente daqueles que se comportam como abusadores sexuais de crianças e adolescentes.

Esse fenômeno deveria ser uma preocupação sociojurídica, pois, no Brasil, tem aumentado o número de denúncias de crimes contra crianças e adolescentes no ambiente virtual. Além disso, as nossas pesquisas exploratórias revelam que, mesmo com informações de advertências nos sites, há um crescimento na oferta e na busca on-line por sites com pornografia de IA, através de computadores e/ou celulares.

Todavia, como são dados específicos e em tempo real não são públicos, ainda não é possível ter o número exato de quantas pessoas acessam pornografia em imagens e vídeos eróticos sintéticos, aqueles que já são produzidos por IA.

Por isso, ainda não é possível precisar quantitativamente os voyeurs de pornografia no ambiente virtual. Já que o Google não divulga nem filtra estatísticas detalhadas de pesquisas para termos específicos, principalmente de conteúdos adultos, para o público geral. Assim, torna-se inviável medir a quantidade de voyeurs e as razões do interesse sexual por país.

Porém, longe de moralismos e juízo de valor, a pornografia na internet, possivelmente, deve está acionando e intensificando padrões socioculturais nos seus diversos consumidores. Pois, ação social dos voyeurs de pornografia, como qualquer conduta humana, é perpassada por um significado ou sentido atribuído pelo próprio indivíduo, que, invariavelmente, leva em consideração o comportamento de outrem – no caso, praticando sexo ou autosexo.

A pornografia na internet, no caso específico da pornografia feita por IA, é um conteúdo pornográfico acessível on-line, que imita a realidade, evoluindo para as galerias (TGP/MGP), vídeos e webcams, que levantam uma séria de preocupações. Principalmente, em função da possibilidade de adolescentes e de crianças terem acesso fácil aos conteúdos e, de alguma forma, serem aliciados por adultos que comentem diversos crimes no ambiente virtual.

Outra questão sensível é a utilização de imagens reais de pessoas, capturadas nas redes sociais, para macular a moral de terceiros através da Deepfake (junção de deep learning, ou aprendizagem profunda, com fake, que significa falso). Trata-se de uma tecnologia de IA usada para criar ou alterar fotos, vídeos e áudios de forma ultrarrealista. Ela permite colocar o rosto de uma pessoa no corpo de outra ou clonar vozes, fazendo com que digam ou façam coisas que nunca aconteceram.

Através da Deepfake, a IA analisa milhares de imagens e gravações reais de uma pessoa, mapeia expressões, movimentos labiais e tons de voz, gerando um "modelo digital" que é usado para manipular a mídia original com enorme fidelidade. Nesse contexto, além da criação de pornografia de IA, ocorrem crimes.

 

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Arnaldo Eugênio

Publicado por:

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

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