Em 2026, teremos eleições gerais no Brasil, mais uma vez o eleitorado brasileiro terá a oportunidade relevante de expressar as vontades e os desejos através do voto. Contudo, experiências desde a redemocratização mostram que, independentemente do grau de instrução ou condição social, nem sempre é uma escolha consciente, e, sim, condicionada.
Assim, além do analfabetismo político, o processo eleitoral poderá ser prejudicado por uma onda de fake news, de discursos red pill – faz referência à subcultura e ideologia online focada em masculinidade –, da tentativa de dividir a população através da polarização de extremos e de muitas propostas distantes dos reais interesses da população.
Sem generalizar, basta analisar as ações, as falas e os mandados de alguns parlamentares que buscarão a reeleição e a motivação de muitos candidatáveis outsiders, para entendermos que o mais do mesmo é uma característica comum a maioria das candidaturas partidárias.
Em 2026, o eleitorado se deparará com a divulgação de muitas fake news durante o período eleitoral, cujo objetivo único é difamar a imagem de muitos candidatáveis, principalmente nas redes sociais. As fake news só têm espaço nas relações sociais e políticas porque há muitas desinformações, inconsequências e pouco comprometimento coletivo entre os votantes.
Para muitos cientistas sociais, a política partidária é um campo fértil para a disseminação de mentiras e ilusões, cuja aceitação social é proporcional ao grau de analfabetismo político da população. Nesse sentido, as estratégias de comunicação tentarão deletar a memória institucional sobre os fatos já documentados. Ou seja, as fake news e outras fraudes eleitorais irão desafiar o bom senso do eleitorado e a autoridade da Justiça Eleitoral nas eleições de 2026.
Desde os papiros às redes sociais a lógica da desinformação é usada como ferramenta política no mundo, pois as conspirações, as farsas e as trapaças circularam em todas as classes sociais. Trata-se de uma estratégia indissociável dos governos de reis, fascistas, ditadores, imperadores e até de democratas.
Um estudo feito pelo Center for Journalists, A Short Guide To History of Fake News (jul./2018), revelou que “o uso da desinformação como ferramenta para a manipulação da opinião pública tem seus primeiros registros datados do século IV a.C”. Ou seja, mentir e enganar outrem não é um deslize moral de uma classe específica, mas uma prática social.
Por exemplo, segundo Paul Joseph Goebbels, fundador e líder do Ministério do Esclarecimento e da Propaganda do nazismo (1933-1945), na Alemanha, “uma mentira repetida mil vezes torna-se realidade”. Hoje, as fake news nas redes sociais comungam, não só na política, do mesmo princípio: o uso e o abuso da desinformação popular para manipular.
Assim, para além de ideologias partidárias, muitas postagens feitas nas redes sociais por parte de possíveis candidatáveis, utilizando-se de falsas informações, tem o objetivo político de manipular a opinião pública e incentivar o eleitorado a agir e replicar mentiras sobre adversários, instituições e fatos.
Nesse processo de fakenização do mundo, ou o uso da desinformação como uma ferramenta de manipulação, as redes sociais têm um papel de destaque para ampliar o seu alcance, bem como à compulsão pela mentira, o populismo, o desdém pelas relações humanas e a disposição para burlar a moral e a ética, em detrimento das demandas sociais.
Portanto, nas eleições de 2026, não valide nem vote em quem espalha boatos e mentiras; forja situações e fatos; e frauda dados para enganar a opinião pública. Ontem, Hitler usou o rádio e o cinema; hoje, os neofascistas usam as redes sociais para desinformar e mentir.
Comentários: