No domingo (04/10), após dias de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, nós – os eleitores brasileiros – teremos mais uma chance para exercer, através do voto, o papel decisivo de fortalecer a democracia no país.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão já nos deu um pouco do dessabor que pode estar por vim, principalmente quanto a qualidade de milhares de postulantes a uma cadeira nos legislativos estaduais e no Federal.
É óbvio que, as candidaturas postas é um dos reflexos da nossa própria falta de critérios, de bom senso e do analfabetismo político. E o que se viu e ouviu como propostas de milhares de candidatáveis é de se encher os olhos com areia e deixar na boca uma sensação de náusea.
Contudo, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão tem uma função social importantíssima, que vai muito além das idiossincrasias regionais e ideológicas. É um momento para a sociedade “conhecer” quem são e o que propõem os candidatáveis. É através da propagando eleitoral que o eleitor pode perceber a qualidade dos postulantes.
De alguma forma, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão possibilita ao eleitor ver a sociedade refletida no espelho da política que é praticada no país. Onde batas, condição social, altares, diplomas, botinas, togas, origem, casula, profissões etc. servem como adereços de campanha, para engabelar o eleitor até o dia da eleição.
A maioria das propostas eleitorais para os cargos executivos e legislativos de políticos profissionais, carreiristas e debutantes a tal ofício soaram como discursos de salvadores da pátria, de mesmices clichês, do mais do mesmo, de teorias da terra plana, numa verborragia com sabor de nada com coisa nenhuma.
É nesse cenário onde Deus e o povo são lembrados; mulheres, crianças e idosos são vistos; e a justiça, segurança pública, educação, saúde, pátria e família são travestidas de prioridades até o eleitor depositar o voto na urna.
No caso específico de famílias, de parentelas, de agregados e de outras organizações sociais, literalmente, a prioridade nunca foi nem será o interesse público, mas, o privado. Isto é, usar a eleição para chegar ao poder político, pelo voto livre ou vendido, e, assim, alcançar um status social e o poder econômico com práticas viciosas.
Todavia, ter eleições no país é fundamental para manter e oxigenar a democracia. Pois, diante de um contexto geopolítico mundial de extremismos e fascismos, poder votar e ser votado ainda é um privilégio para poucos. O problema nunca foi a eleição, a urna eletrônica nem o direito ao voto, mas, quem vota e as suas razões para votar em quem se vota.
Assim, não é raro se ver em eleições no Brasil mulheres votando em misóginos e machistas; homoafetivos votando em LGBTfóbicos; negros votando em racistas; honestos votando em trapaceiros etc. Isso reforça a tese do analfabetismo político que perpassa a sociedade brasileira em todos os níveis socioeconômicos.
Durante a propaganda eleitoral assistiu-se e ouviu-se de tudo um pouco no espectro da bizarrice, da sandice e do mal gosto, como discursos de ódio, propostas focadas em benefício próprio, o fim de órgãos públicos, a estatização de plataformas digitais e até a castração de estupradores e feminicidas.
Além de permitir a visibilidade de desconhecidos, é bem verdade que, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão é marcada por episódios inusitados, bordões insólitos, candidatos exóticos e promessas extraterrestres que se transformaram em fenômenos culturais no Brasil. Enfim, a campanha eleitoral terminou, mas, a vida continua.
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