Notícias politicas precisas e verdadeiras

MENU

Notícias / PODERES

Negacionismo fez brasileiros "perderem" 3,4 anos de vida na pandemia

Lei define 12 de março Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19

Negacionismo fez brasileiros
A-
A+
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando
 
 
Manaus (AM) - Especial 3 anos de pandemia, Impactos da pandemia. Vista do cemitério de Tarumã na cidade de Manaus com várias covas de vitimas do covid-19. Foto: Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus
© Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus
Versão em áudio

A expectativa de vida da população brasileira caiu 3,4 anos durante a pandemia de covid-19, após aumento de 27,6% na mortalidade. É o que mostra a análise nacional do Estudo Carga Global de Doenças, maior pesquisa mundial sobre o impacto das doenças e fatores de risco nas populações de mais de 200 países. 

O documento está publicado na edição de maio da revista The Lancet Regional Health – Americas.

Para os pesquisadores que participaram do levantamento, esse retrocesso é resultado da postura negacionista do governo federal da época, sob comando do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Leia Também:

"As autoridades enfraqueceram as orientações científicas – rejeitando o distanciamento social, disseminando desinformação, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de vacinas, sob a justificativa de isso protegeria o país de um colapso econômico."

Apesar de a queda na expectativa de vida ter ocorrido em todo o país, há diferença significativa entre os números por unidades da Federação. 

Os três estados com a maior redução ficam na região Norte:

  1. Rondônia: 6,01 anos;
  2. Amazonas: 5,84 anos;
  3. Roraima: 5,67 anos. 

Na outra ponta, com a menor redução, estão três estados da região Nordeste:

  1. Maranhão: 1,86 anos;
  2. Alagoas: 2,01;
  3. Rio Grande do Norte: 2,11 anos. 

De acordo com o estudo, isso se deve ao fato de os governadores da região terem adotado com mais firmeza as medidas de contenção recomendadas por cientistas e autoridades sanitárias. 

"Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um consórcio com um comitê científico independente que implementou estratégias.”

O documento cita, por exemplo, o distanciamento social, o fechamento de escolas e comércios, a obrigatoriedade do uso de máscaras, políticas de proteção aos trabalhadores e sistemas de dados em tempo real. 

Os pesquisadores também defendem que o "impacto da pandemia sobre a carga de doenças e a expectativa de vida poderia ter sido mitigado em todo o país", se o governo federal à época tivesse adotado essa mesma abordagem. 

Uma demonstração disso é que o desempenho do Brasil no período foi pior do que o de outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, e do Brics, como China e Índia.

"Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal como o Brasil ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização, à demora na aquisição de vacinas e ao foco em medicamentos para ‘tratamento precoce’ sem evidências científicas de benefício."




Avanços

Apesar do retrocesso vivido durante a pandemia, o Brasil teve ganhos em saúde em uma análise maior de tempo.

De 1990 a 2023, a expectativa de vida subiu 7,18 anos e a mortalidade padronizada por idade, um indicador que nivela os efeitos do envelhecimento, caiu 34,5%. 

Da mesma forma, o índice que mede os anos saudáveis perdidos por morte ou doença reduziu 29,5%. 

Diversos fatores são apontados como responsáveis por essa evolução, como melhorias na qualidade de vida, incluindo avanço do saneamento básico e crescimento econômico.

A implementação do Sistema Único de Saúde, a criação do Programa de Saúde da Família e a ampliação da vacinação fazem parte da análise. 

Com isso, as taxas de quase todas as principais causas de morte no Brasil tiveram redução nas últimas décadas, ao considerar a mortalidade padronizada por idade.

As exceções foram doença de Alzheimer e outras demências, com aumento de 1%, e doença crônica renal, que cresceu 9,6% de 1990 a 2023. 

Em 2023, a maior causa de morte no Brasil foi a doença isquêmica do coração, seguida de AVC, e pelas infecções do trato respiratório inferior. 

Mas a principal causa de mortes prematuras foi a violência interpessoal. O estudo estima que o Brasil tenha perdido 1.351 anos de vida, a cada cem mil habitantes, por causa de mortes do tipo.

Lei define 12 de março Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19

Manaus (AM) 28/05/2024 - ATENÇÃO foto feita em 05.06.2020 - Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida.
Foto: Marcio James/Semcom/Arquivo
© Marcio James/Semcom/Arquivo
 

Seis anos após o início da pandemia de covid-19, que matou mais de 716 mil pessoas no Brasil, a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 foi sancionada nesta segunda-feira (11) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma cerimônia no Palácio do Planalto.

O dia escolhido foi 12 de março, data que remete ao falecimento da técnica de enfermagem Rosana Aparecida Urbano, a primeira vítima da doença registrada no Brasil, em São Paulo. O texto foi aprovado pelo Congresso Nacional no mês passado.

A cerimônia no Planalto contou com a presença de representantes de associações de familiares de vítimas da covid-19, que cobram responsabilização também de profissionais que ajudaram a espalhar desinformação sobre vacinas e tratamento da doença, que causou a maior crise sanitária da história do país.

Em seu discurso, Lula criticou a condução "desastrosa" da pandemia pelo então governo do ex-presidente Jair Bolsonaro – que atualmente está em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

O presidente destacou a conivência de diversos segmentos, incluindo entidades médicas. 

"Temos que dizer em alto e bom som a quantidade de médicos que receitavam cloroquina e a quantidade de gente que dizia que a vacina fazia as pessoas virarem gays, virarem jacaré, que fazia todo o mal a crianças. Se a gente não der o nome, as pessoas não serão conhecidas."

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, observou que a maioria dos brasileiros teve algum familiar vítima da covid-19 ou conhece pessoas ou familiares de pessoas que morreram vítimas da infecção, especialmente pela demora na chegada da vacina.

Segundo o ministro, a data é importante porque será sempre um momento de debate e reflexão sobre o enfrentamento a esse tipo de problema.

"O presidente sanciona esse projeto, sanção integral do projeto, para que fique marcado, e todo ano a gente possa falar sobre isso, não só no dia específico, mas ao longo de todo ano, a gente possa discutir o que é necessário para enfrentar futuras pandemias, sobretudo continuar cuidando das vítimas e dos seus familiares que estão afetados dessa pandemia".

No mês passado, o Ministério da Saúde lançou o Memorial da Pandemia, no Rio de Janeiro, para homenagear as mais de 700 mil vítimas da covid-19 no país.

O espaço está localizado no edifício do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), reaberto depois de quase quatro anos de obras de recuperação e investimento de cerca de R$ 15 milhões.

Vacinação

Desde a pandemia, o Brasil vem melhorando os indicadores de vacinação, que sofreram acentuada queda no governo anterior, segundo Padilha.

"Chegamos ao final de 2025 com a melhor cobertura vacinal dos últimos 9 anos, graças à parceria com os estados, com os municípios, com os conselhos, com os profissionais de saúde. As coberturas vacinais infantis, quando a gente assumiu em 2023, estava abaixo de 80%. Hoje, todas elas tão acima de 90%", disse.

 

 

Fonte/Créditos: Agência Brasil

Comentários:

Redação

Publicado por:

Redação

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!