A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com apoio da Vigilância Sanitária do Estado (Divisa/Sesapi) e da Gerência de Vigilância Sanitária do Município (Gevisa) realizou a Operação Estética com Segurança, nesta semana em Teresina, interditando duas clínicas de estética e apreendendo vários produtos irregulares. Durante dois dias, 20 estabelecimentos foram inspecionados nas zonas Leste e Sul da capital do Piauí.
Nove clínicas foram inspecionadas e todas foram autuadas. Uma delas teve o serviço de lipoaspiração interditado, não podendo realizar o procedimento até o saneamento dos problemas e decisão em contrário. Foram encontrados diversos produtos com prazo de validade expirado e fios de sustentação (fios de PDO) sem registro sanitário no Brasil. Além disso, foi flagrada a reutilização de produtos estéreis de uso único (seringas), o que preocupa em função do risco de infecção e transmissão de doenças. As seringas tinham nomes de pacientes e algumas continham material no seu interior, porém sem identificação de qual produto se tratava. 
Medicamentos em frascos multidoses foram localizados sem identificação da sua data de abertura e sem prazo de validade, o que pode provocar erros de aplicação pelos profissionais e dificulta a rastreabilidade se algum paciente registrar um evento adverso futuro.
O evento adverso é uma ocorrência de saúde indesejável, que pode ocorrer durante ou após um procedimento, podendo ser, por exemplo, uma lesão física, uma queimadura ou uma reação não prevista a um medicamento. 
Outra irregularidade encontrada em mais de um estabelecimento foi o compartilhamento, na mesma geladeira, de alimentos e bebidas de funcionários com produtos injetáveis e medicamentos (sem rótulos, sem data de abertura e validade).
Alguns serviços não possuíam protocolos bem estabelecidos nem procedimentos operacionais padrão (POPs), o que dificulta a realização de ações de contingência em caso de acidentes. Também foi notada a ausência de protocolos de manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos e o registro precário ou inexistente dos pacientes atendidos.
É necessário que todo serviço de saúde possua registros formais dos procedimentos realizados, dos produtos usados em cada paciente, bem como das quantidades aplicadas e do número de lote do produto usado. Esses registros permitem a atuação rápida e assertiva quando um paciente sofre um evento adverso após um procedimento.
Os fiscais verificaram também problemas no processo de esterilização (fluxo inadequado, armazenamento e identificação) e o descarte inadequado de resíduos infectantes. Foram flagrados produtos para a saúde (categoria que abrange, por exemplo, os preenchedores faciais) manipulados, o que é proibido em razão do grau de risco desses produtos e da necessidade de grande controle das condições de produção.
Também foram interditados dois equipamentos de radiofrequência que não recebiam manutenção. Equipamentos médicos usados para a realização de procedimentos necessitam de manutenção periódica para que seu funcionamento não seja comprometido ou para que não provoquem, por exemplo, uma queimadura ou outro tipo de lesão no paciente.
Fonte/Créditos: ANVISA
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