Sob o céu aberto do norte piauiense e ao som ancestral que ecoa da terra, teve início, nesta segunda-feira (16), a II Caravana do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) – Edição Piripiri e Região. Mais do que um evento institucional, a Caravana se apresenta como um encontro de caminhos: o da Justiça que se desloca e o das comunidades que historicamente aguardam por maior presença, escuta e reconhecimento.

A abertura aconteceu em um cenário simbólico e profundamente significativo: o Museu Indígena Anízia Maria dos Povos Tabajara Apuio Itamaraty, localizado na comunidade Nazaré, zona rural de Lagoa de São Francisco. Reunindo desembargadores(as), magistrados(as), servidores(as) e instituições parceiras, o início da programação foi marcado por uma apresentação do Toré: ritual sagrado indígena que envolve canto, dança e espiritualidade, expressando identidade, respeito, conexão com a natureza e ancestralidade dos povos originários.

Em meio ao ritmo cadenciado do Toré, a solenidade foi oficialmente aberta pelo desembargador João Gabriel Furtado Baptista, representando o presidente do TJPI, desembargador Aderson Nogueira, que destacou a importância de aproximar o Judiciário das comunidades tradicionais: “A Justiça só se realiza plenamente quando é capaz de chegar onde o povo está, respeitando suas culturas, ouvindo suas vozes e reconhecendo suas histórias. Estar aqui hoje é reafirmar que o Judiciário pertence a todos e todas, e que as comunidades tradicionais são parte essencial dessa construção de cidadania”, afirmou.

A solenidade também contou com a participação do presidente do TRT-PI, desembargador Tércio Torres, que reforçou a necessidade de integração entre as instituições.

Para a vice-cacica dos povos Tabajara e Tapuio da comunidade Nazaré, Maria Gardênia, o significado da presença institucional no território indígena é mais do que simbólico: “A chegada da Justiça até nós é um sinal de respeito. É reconhecer que nossos direitos existem, que nossa cultura importa e que também somos cidadãos. Quando a Justiça entra na comunidade, ela traz dignidade, escuta, garantia de direitos e oportunidade para o nosso povo”, destacou.

Atendimentos em Piripiri
Simultaneamente à abertura da Caravana, centenas de pessoas foram atendidas no Centro Administrativo e no Fórum da Comarca de Piripiri, com serviços diversos que incluem emissão de documentos, orientações jurídicas e atendimentos sociais.

De acordo com o secretário de Gestão Estratégica do TJPI, Rafael Dantas Nery, a II Caravana TJPI segue até a próxima sexta-feira (20), percorrendo a região com “a missão de encurtar distâncias, não apenas geográficas, mas também sociais e históricas”.



Fonte/Créditos: TJPI
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