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Mais um agosto lilás

É necessário que as ações proativas sejam contínuas e coletivas nos 365 dias do ano

Mais um agosto lilás
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Até quando a sociedade brasileira continuará permissiva com as violências contra as mulheres – p.ex. o feminicídio? Em 2025 vivenciaremos outra vez mais um “Agosto Lilás” – uma campanha de enfrentamento à violência contra a mulher – sem mudar a situação cruel?

É evidente a necessidade dessa política pública, mas ainda não se tornou efetiva: primeiro, porque não é contínua nos 365 dias, mas, preferencialmente, durante o mês de agosto; e, segundo, busca conscientizar a sociedade sobre a não-violência doméstica e familiar, e divulgar a Lei Maria da Penha – que fará 19 anos em agosto de 2025 –, num país em que a educação de qualidade – isto é, para além do ENEM –, não é prioridade.

Assim, reforçar ou apenas dá mais visibilidade às causas e consequências do fenômeno social da violência contra a mulher, no mês de agosto, não favorece a efetivação da política pública nem controla as ações de machismo, de patriarcado e de misoginia nos 365 dias do ano. Isso mostra que o processo de conscientizar a sociedade quanto a não-violência doméstica e familiar não tem surtido o efeito desejado e necessário.

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Porém, como lembra Paulo Freire, “ninguém conscientiza ninguém”. Ou seja, a concepção freireana alerta que a conscientização não é um processo unilateral, onde um sujeito impõe conhecimento a outro, mas um processo dialógico e colaborativo entre as pessoas.

Desse modo, o enfretamento ao fenômeno social da violência contra a mulher não deve se restringir somente à visão de “caso de polícia” e ao “agosto lilás”. Pois, é necessário que as ações proativas sejam contínuas e coletivas nos 365 dias do ano e em todas as dimensões da sociedade brasileira.

No caso, apenas enfatizar o “Agosto Lilás”, mesmo considerando os esforços policiais e judiciais, não tem sido suficiente para efetivar o processo de conscientização da não-violência contra a mulher. Segundo Freire, a conscientização só ocorre através da interação entre indivíduos, onde todos são sujeitos ativos no processo de aprendizagem e transformação social – p.ex. a escola é um espaço estratégico, por ser um lugar de reprodução social.

Tanto que a campanha foi criada em 2016 pelo Governo do Mato Grosso do Sul e, em 2022, o “Agosto Lilás” foi instituído como lei, mas, ainda hoje, milhares de pessoas não sabem sequer que a cor lilás foi escolhida por ser associada à luta e resistência das mulheres contra a violência. Ou seja, “[...] ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.

Logo, mesmo com a campanha do “Agosto Lilás”, as mudanças nas atitudes e nos comportamentos misóginos são tímidas, porque não tem impulsionado a desconstrução da persona machista do homem brasileiro. Segundo Carl Jung, a mudança de comportamento em uma pessoa ocorre através do processo de individuação – um processo psicológico no qual os indivíduos se tornam mais conscientes e integrados.

Isto é, um desenvolvimento natural da personalidade impulsionado pelo "self" (o centro da personalidade). Esse processo envolve a integração dos aspectos conscientes e inconscientes, incluindo a "sombra", e a busca pela totalidade e autoconhecimento (“luz”). É um caminho de autorrealização, onde a pessoa se torna mais autêntica e completa, compreendendo e integrando seus aspectos sombrios e luminosos.

Portanto, a campanha do “Agosto Lilás” tem ampliado a divulgação dos direitos das mulheres em situação de violência e dos serviços especializados para acolhimento, orientação e denúncia. Porém, a efetividade do enfretamento à violência contra a mulher requer ir além, visando romper com a apatia social. 

 

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Arnaldo Eugênio

Publicado por:

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

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