A chefe de gabinete do então prefeito de Teresina, José Pessoa Leal, o "Dr. Pessoa", Suelene da Cruz Pessoa, a "Sol Pessoa", depôs nesta quinta-feira (16), por videoconferência, sobre o esquema de desvio de recursos do município, descoberto durante as investigações da Operação Gabinete de Ouro”, do Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil do Piauí. Sol Pessoa permanece presa na Penitenciária Feminina, na zona Sul de Teresina.
Foram desencadeadas duas operações: Gabinete de Ouro e Interpostos. Além de Sol Pessoa, estão sendo investigados dois ex-vereadores de Teresina, que atuaram na gestão de Dr. Pessoa, além de Stanley Freire, ex-presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves. A Deccor cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Teresina.
“A investigação foi iniciada a partir de um relatório de inteligência financeira enviado pelo COAF, que apontava movimentações vultosas realizadas por dois ex-parlamentares de Teresina. Entre os anos de 2020 e 2023, um deles movimentou aproximadamente R$ 14 milhões, utilizando terceiros para dissimular a origem e a propriedade do dinheiro”, explicou a delegada Bernadete Santana, da Deccor.
Entre os bens apreendidos da ex-chefe de gabinete, estão uma casa, um apartamento, um sítio, aparelhos eletrônicos e bolsas de luxo.
Sol Pessoa é presa em Teresina
Foto: Lucas Dias/GP1
Sol Pessoa admitiu a existência do esquema de propina e de "rachadinhas" na Prefeitura de Teresina, mas se esquivou, afirmando que o dinheiro não ficava com ela, que “recebia ordens superiores” de pessoas ligadas ao primeiro escalão da gestão do então prefeito Dr. Pessoa.
"Ela era a pessoa que dialogava diretamente com fornecedores, com um empresário que também fazia interlocução com os terceirizados. Ela tinha protagonismo dentro do trabalho. Ela centralizava os pagamentos, realocava tercerizados", disse o delegado Ferdinando Martins, coordenador do Departamento de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Deccor). "A gente identificou alguns servidores que tinham certo protagonismo na atuação dentro da gestão pública, principalmente envolvendo terceirizados e fornecedores. Vamos recolher material e evoluir no que a gente apreendeu [...] É uma só operação. Uma só operação com várias equipes, mas com dois inquéritos envolvendo condutas criminosas praticadas durante a antiga gestão", acrescentou.
O depoimento da chefe de gabinete durou mais de uma hora e meia, quando ela respondeu às perguntas dos delegados, deu nomes e as funções de cada um no esquema.
"Essas condutas delitivas foram vistas durante a antiga gestão do município de Teresina, envolvendo tanto agentes da Câmara Municipal, como ex-servidores lotados na própria administração. Percebemos que havia uma vinculação entre esses agentes", explicou o delegado.
Os outros três envolvidos presos também foram ouvidos, mas não há detalhes do que eles falaram à polícia.
Fonte/Créditos: REDAÇÃO
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