Com este terceiro artigo temático finalizo um estudo exploratório sobre a pornografia. Trata-se de uma pesquisa na internet, de caráter empírico, com dados entre 2014 e 2025, onde os resultados mostram um crescente contínuo da indústria bilionária do entretenimento sexual, que tem alcançado e afetado a dignidade de adolescentes e crianças.
A pornografia na internet é todo conteúdo pornográfico acessível on-line, desde o início com ASCII nos anos 80, evoluindo para as galerias (TGP/MGP), vídeos e webcams, que levantam uma séria preocupações quanto ao abuso e à exploração sexual infantil. A repercussão no Brasil está no aumento de denúncias de crimes contra crianças e adolescentes.
Além disso, os estudos revelam que há uma relação entre as celebrações culturais e o aumento do “apetite sexual” em diversos países, notadamente em buscadores on-line com as palavras “sexo” e/ou “pornô” ou o nome de sites, por computadores e/ou celulares.
Mas, como são dados específicos e em tempo real não são públicos, não é possível ter o número exato de quantas pessoas acessam pornografia no Google no período do Natal. Pois, o Google não divulga ou filtra estatísticas detalhadas de pesquisas para termos específicos, principalmente de conteúdos adultos, para o público geral.
O estudo Human Sexual Cycles are Driven by Culture and Match Collective Moods (2014) teve por base as pesquisas on-line feitas em várias partes do mundo. O objetivo foi medir o interesse sexual, por país, os pesquisadores basearam-se na frequência com que a palavra “sexo” foi pesquisada no Google.
Já o nosso estudo exploratório (2014-2025), também pelo Google, buscou, utilizando o computador e celular, sem viés moralista ou falso pudor, pelas palavras “sexo” e “pornô” em vários dias da semana e horários, encontrando uma enorme quantidade e variedade de sites e vídeos, com milhares de acessos e para todos os gêneros.
No estudo internacional de 2014 foram utilizados dados de 129 países, divididos consoante a religião que, na maioria, pratica a sua população, e pelo hemisfério a que pertencem. Dentre os resultados, constataram que nos países cristãos, este interesse atinge um pico na época natalícia. O que isso significa?
É que, nos países cristãos, observou-se um aumento em pesquisas pela palavra “sexo” na internet, durante o período do Natal. Já em países que a religião predominante é o islamismo, as pesquisas atingem um pico na semana Eid-al-Fitr (celebração que marca o fim do período de jejum) e aumentam durante a Eid al-Adha, a semana da Festa do Sacrifício. Mas, há uma diminuição do interesse por sexo durante o Ramadã (ou Ramadan).
Os pesquisadores levantaram duas hipóteses: a biológica e a cultural. A primeira diz que os ciclos reprodutivos humanos são uma adaptação aos ciclos sazonais causados pela posição do hemisfério. A segunda propõe que as datas de conexão variam consoante os fatores culturais, como feriados e outras celebrações em cada sociedade.
Porém, a hipótese biológica perdeu força, os pesquisadores obtiveram dados referentes à palavra “sexo” – durante os solstícios de verão e inverno, a 21 de junho e 21 de dezembro, respetivamente. E os resultados mostraram que não há nenhum pico neste período, dando maior força à hipótese cultural, como acontece no nosso estudo exploratório.
Contudo, entendo que o cultural e o biológico têm uma grande influência uma na outra. Mesmo que os dados apontem que, hoje, o comportamento sexual e reprodutivo seja determinado por questões culturais. As pesquisas por pornografia aumentam durante feriados e fins de ano, incluindo o Natal.
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