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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo; a secretária-executiva do Tribunal de Contas, Roseli Loss; os servidores Felipe José Glinke e Adriangelo Barros Antunes; o consultor Jurídico-Geral do TCE-MT, Grhegory Paiva Pires Moreira e Gustavo Fernandes da Silva; foram presos na manhã desta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Conta, pela Polícia Federal.
Em 2017, presidente do TCE-MT ficou quatro anos afastado do órgão após ser acusado de corrupção passiva com base em uma delação do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa.
Além das prisões, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão para investigar possíveis irregularidades na gestão de contratos administrativos e na realização de pagamentos a servidores do tribunal.
Segundo a Polícia Federal, o grupo suspendia pagamentos de contratos legítimos para manter recursos destinados a empresas de publicidade, facilitando o desvio de dinheiro público.
A investigação identificou saques de R$ 500 mil pelo presidente do tribunal e movimentações de R$ 33 milhões por um dos suspeitos em apenas um ano. A decisão do STJ também determinou o afastamento de conselheiros e de um conselheiro aposentado que atuava como consultor.
Além dos mandados, estão sendo cumpridas medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens, autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). As ações ocorrem em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A investigação apura indícios de utilização da suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão sobre fornecedores e de tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.
Também são investigadas divergências nos pagamentos a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores públicos e saques recorrentes em espécie, com possíveis relações entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências da instituição.
Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Por meio de nota, o TCE informou que adotará todas as providências necessárias ao cumprimento as determinações da Justiça e que suspendeu o expediente desta quinta-feira (29).
Foto: PF
A Polícia Federal identificou R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras suspeitas relacionadas a um suposto esquema de corrupção no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). O valor foi rastreado em apenas 294 dias, entre janeiro e outubro de 2025, mas a investigação aponta irregularidades relacionadas a contratos administrativos desde 2024, quando Sérgio Ricardo de Almeida, que foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, assumiu a presidência do órgão.
Ele e outras cinco pessoas foram alvos de prisão preventiva nesta quinta-feira (29), na Operação Tomada de Contas.
Conforme decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a investigação começou após uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF). O relato deu origem a uma sindicância instaurada por determinação do STJ, para apurar suspeitas de favorecimento de empresas contratadas pelo tribunal.
A decisão não informa a data exata de abertura da sindicância, mas identifica atos administrativos de 2024 como parte dos fatos investigados.
A suspeita inicial era de que Sérgio Ricardo teria utilizado a suspensão de contratos administrativos, sob a justificativa de contenção de despesas, para pressionar fornecedores. Algumas empresas teriam deixado de receber pagamentos, enquanto outras continuaram recebendo recursos públicos e registraram aumento expressivo no faturamento.
Segundo a denúncia, a liberação dos valores estaria condicionada à suposta devolução de parte do dinheiro a pessoas ligadas à presidência do TCE-MT.
Confira os cargos ocupados por Sérgio Ricardo:
2000 a 2002: vereador;
2002 a 2006: deputado estadual;
2007 a 2009: presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso;
13 de dezembro de 2007: assumiu o governo de Mato Grosso;
2009 a 2011: primeiro-secretário da Assembleia Legislativa;
2010 a 2012: deputado estadual;
2010 a 2012: primeiro-secretário da Assembleia Legislativa.
16 de maio de 2012: tomou posse como conselheiro do TCE-MT, por indicação do Poder Legislativo;
2024 a 2025: presidente da 57ª Mesa Diretora do TCE-MT;
2026 a 2027: presidente da 58ª Mesa Diretora do TCE-MT.

Como o suposto esquema funcionava
O primeiro ato administrativo analisado pela PF foi uma portaria publicada em 5 de agosto de 2024, que determinou a suspensão temporária dos contratos do tribunal por 90 dias, incluindo pagamentos a fornecedores. A medida previa exceções para serviços considerados essenciais e contratos liberados pela própria presidência. Em outubro daquele ano, outra portaria prorrogou a suspensão até 31 de dezembro.
A investigação identificou 1.624 pagamentos realizados a 94 empresas em 2024. Desse total, 55 continuaram recebendo recursos antes e depois da suspensão, enquanto 21 deixaram de receber pagamentos após a publicação da medida. Para os investigadores, a diferença de tratamento entre fornecedores reforçou as suspeitas de favorecimento.
Outro ponto considerado relevante foi o crescimento das despesas do tribunal. Segundo a decisão, apesar da justificativa de restrição orçamentária, os pagamentos mensais teriam aumentado R$ 13 milhões, passando de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões. O orçamento do TCE-MT também cresceu de R$ 763,8 milhões, em 2023, para R$ 826,4 milhões, em 2025.

A partir da análise de documentos, informações bancárias e imagens de câmeras de segurança, a PF identificou uma segunda frente do suposto esquema: pagamentos extraordinários a conselheiros e servidores por meio de uma estrutura descrita como folha paralela. Os recursos eram transferidos diretamente das contas do tribunal, frequentemente utilizando canais bancários destinados ao pagamento de fornecedores.
Segundo a decisão, foram identificados pagamentos avulsos a 292 pessoas físicas. Os investigadores suspeitam que parte desses recursos tenha sido posteriormente convertida em dinheiro vivo, distribuída entre operadores financeiros e utilizada na formação de patrimônio.
Presidente do TCE-MT teve 150 saques milionários
Sérgio Ricardo é apontado pela Polícia Federal como possível líder da estrutura investigada. Em menos de dez meses, os investigadores identificaram R$ 15,4 milhões em créditos bancários destinados ao presidente do TCE-MT.
No mesmo período, foram registrados 150 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 15,6 milhões. Desse total, 64 retiradas ocorreram diretamente na boca do caixa, movimentando R$ 15,47 milhões. Outras 86 foram realizadas em terminais de autoatendimento.
Os investigadores também identificaram pagamentos milionários a outros integrantes do tribunal. O conselheiro Guilherme Antônio Maluf teria recebido R$ 10,6 milhões; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, R$ 32,3 milhões; e o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva, R$ 15,9 milhões. Esses valores correspondem a créditos bancários investigados, não necessariamente a saques em espécie.
A chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, Roseli Loss, é apontada como responsável por retiradas que somam R$ 3,52 milhões. Segundo a decisão, parte do dinheiro teria sido entregue a Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do presidente. Imagens bancárias também registraram outros investigados recebendo e transportando grandes quantias em espécie.

Saques diminuíram após diligência da PF
A decisão revela que o comportamento financeiro dos investigados mudou após uma diligência policial realizada em 14 de outubro de 2025. Na ocasião, agentes federais foram identificados pelo sistema de controle de acesso do TCE-MT, e um deles chegou a ser abordado pela segurança do órgão.
Depois desse episódio, os saques de grande porte diminuíram temporariamente. A Polícia Federal identificou acúmulo de dinheiro nas contas, aplicações financeiras e alterações na forma de movimentação dos recursos. As retiradas em espécie voltaram a ocorrer posteriormente, inclusive em maio de 2026.
Para o ministro Og Fernandes, os registros indicam que as práticas investigadas não ficaram restritas a 2025. A decisão aponta indícios de continuidade das movimentações financeiras e dos mecanismos administrativos utilizados para os pagamentos ao longo de 2026.
PF pediu bloqueio de aproximadamente R$ 145 milhões
Embora os R$ 75,8 milhões representem o montante de movimentações suspeitas identificado no período analisado, a Polícia Federal considera que a dimensão financeira do suposto esquema pode ser maior. A investigação também menciona a possibilidade de participação de outras pessoas ainda não totalmente identificadas.
Por isso, a representação policial incluiu medidas de sequestro patrimonial que alcançam aproximadamente R$ 145 milhões. A decisão também cita uma previsão orçamentária de R$ 140,1 milhões para pagamentos de verbas indenizatórias em 2026, utilizada pelos investigadores para sustentar o risco de continuidade das práticas suspeitas.
Esses valores têm naturezas diferentes. Os R$ 75,8 milhões correspondem às movimentações financeiras consideradas suspeitas; os R$ 145 milhões se referem às medidas patrimoniais solicitadas; e os R$ 140,1 milhões representam uma previsão orçamentária. Nenhum desses montantes deve ser apresentado como valor integral de desvio já comprovado.
Operação resultou em seis prisões
A Operação Tomada de Contas foi deflagrada nesta quinta-feira (29), com mais de 180 policiais federais mobilizados para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
O STJ decretou as prisões preventivas de Sérgio Ricardo de Almeida, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Gustavo Fernandes da Silva, Felipe José Glinke, Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes. Outros investigados, incluindo o conselheiro Guilherme Maluf, receberam medidas cautelares, como afastamento das funções e proibição de acesso ao tribunal.
A Polícia Federal apura possíveis crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações continuam para identificar a origem e o destino dos recursos, a eventual participação de fornecedores e a responsabilidade individual dos envolvidos.
A existência das movimentações bancárias não comprova, por si só, a prática dos crimes investigados. Os fatos descritos na decisão são suspeitas e indícios reunidos na fase investigativa, sem condenação definitiva dos envolvidos.
Outro lado
O TCE-MT se posicionou sobre o caso por meio de nota manifestando que adotará todas as providências necessárias ao cumprimento das determinações da Justiça. Além disso, ficam suspensos o expediente e os prazos processuais desta quinta-feira (29) e sessão plenária prevista da próxima terça-feira (3).
Confira na íntegra.
"O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), diante dos recentes acontecimentos envolvendo membros do colegiado e servidores, em decorrência de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), informa que adotará todas as providências necessárias ao cumprimento das determinações da Justiça.
A instituição assegura aos servidores, aos órgãos públicos jurisdicionados e à sociedade mato-grossense o compromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais.
Ficam suspensos o expediente e os prazos processuais desta quinta-feira (29), bem como a sessão plenária prevista para a próxima terça-feira (3), para fins de organização processual.
O TCE-MT seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo.
Conselheiro Waldir Júlio Teis
Vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso"
Fonte/Créditos: Primeira Página/Polícia Federal
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