Obesidade é discutida em audiência pública na Assembleia Legislativa

A sessão solene foi requerida pela deputada Flora Izabel (PT)

Deputada Flora Izabel durante a sessão solene

Deputada Flora Izabel durante a sessão solene Foto: Thiago Amaral/Alepi

Requerida pela deputada Flora Izabel (PT), a Assembleia Legislativa realizou na manhã desta segunda-feira (11), audiência pública para discutir a política estadual de combate à obesidade no Piauí. Presidida pelo deputado Themístocles Filho(MDB), a audiência foi prestigiada por vários profissionais da área médica e convidados.

Compuseram a Mesa de Honra da sessão os médicos Gustavo Santos, primeiro cirurgião bariátrico do Piauí; Alderico Carvalho, representante da Secretaria de Saude do Estado; Daniele Aita, presidente do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores (Isapi) do Estado; a assistente social Patrícia Gadelha; Aline Regina e Patrícia, da Associação dos Portadores de Obesidade, dentre outros.

Flora Izabel saudou os presentes e agradeceu a iniciativa do deputado Bessah (Progressistas), que apresentou a Lei que institui o dia 11 de novembro como o Dia Estadual de Combate à Obesidade. Esta lei estabelece as política públicas voltadas para a educação de crianças e adolescentes – além de adultos – com o objetivo de prevenir a obesidade.

Segundo ainda a deputada, estudos comprovam que 48 por cento dos homens estão com excesso de peso e mais de 200 sofreram aumento de peso entre os de 2008 e 2018. Para diminuir o trauma dos que passam por este problema fez a deputada Flora Izabel apresentar projeto de lei que garante os direitos dos obesos nos acessos nos transportes, escolas, hospitais e demais espaços públicos. “Hoje são poucos os ônibus que possuem catracas ou carteiras adequadas aos obesos”, disse Flora.

Depois de Flora Izabel, falou a presidente da Associação de Apoio aos Obesos, Sílvia Gadelha, que classificou a luta contra a obesidade “mais uma questão de saúde”, que deve ser prioridade de governo. Silvia Gadelha disse que criou o grupo de combate à obesidade em 2014, quando passou por uma cirurgia bariátrica bem sucedida. E hoje acompanha mais de mil pacientes que passaram pelo mesmo tratamento em todo o Piauí.

Segundo Silvia Gadelha, mais de 200 mil pacientes estão na fila no Hospital Getúlio Vargas à espera de uma cirurgia bariátrica. “Enquanto isso ,essas pessoas são vítima de “gordofobia “, sofrendo bulling, piadas e deboches de pessoas sem consciência”, lamentou Gadelha, que concluiu o discurso com um apelo: “o obeso precisa ser respeitado”.
Problema da obesidade é mundial, adverte cirurgião

Para o cirurgião Marlon Moreno, o problema da obesidade é mundial e as previsões são de que até 2040 um quarto da população seja atingida pela doença. O médico disse que já são 13 os tipos de câncer causados pela obesidade, mas acredita ser possível combater a deoença modificando o cardápio das crianças nas escolas e adotando hábitos de vida saudáveis, como a prática esportiva.

O também cirurgião Antônio Moreira considerou os números da obesidade alarmantes, sendo que os dados obtidos no Piauí são iguais aos do restante do país. O médico explicou que a hipertensão e o diabetes são as consequências mais graves da obesidade e defendeu uma luta sem trégua no combate e prevenção à doença.

Gustavo Santos foi outro que usou a tribuna, informando que passou a combater a obesidade aos 21 anos de idade (ele está com 26) e a constatação que fez foi que os custos são elevados, tanto para os pacientes como para os estados, municípios, entidades e a própria União. O orador agradeceu à deputada Flora Izabel e ao deputado Bessah (PP), pela sessão, oferecendo-se para a próxima data e defendendo uma atuação mais intensa na prevenção e combate à obesidade.

Daniele Aita usou também a tribuna para dizer que a obesidade é uma questão de saúde pública, uma vez que cresce nas pessoas em idade escolar. Ela defendeu investimentos em educação alimentar, com assistência psicológica, ressaltando que a obesidade é a terceira causa prevenivel de câncer.

Alderico Tavares, representando o secretário de Saúde, Florentino Neto, disse que o secretário deixou de comparecer porcompromisso anterior. Ele disse que o combate à obesidade tem que ser através do tripé municípios, estado e União, destacando que no Hospital Getúlio Vargas existe uma clínica para atendimento aos casos de obesidade, há cinco anos, embora ainda sejam baixos os números de cirurgias (28) havendo uma fila de 200 pessoas na espera.

Falou também Aline Regina, na condição de obesa, lembrando as dificuldades que tem enfrentado nos transportes coletivos, embora já seja possível entrar nos coletivos pela porta do meio. Ela disse que já denunciou pelas redes sociais estabelecimento comercial que não oferecia cadeiras adequadas.

Dois deputados, Francisco Costa (PT e Bessah (Progressistas) fizeram rápidas considerações sobre a sessão solene, o primeiro afirmando que o combate à obesidade depende de políticas públicas dos Estados, Municípios e União. No Piauí ele destacou as dificuldades para o acompanhamento aos pacientes, mas considerou grave a demora da Anvisa para liberar os medicamentos que já são usados no exterior. O deputado Bessah justificou sua ideia para que o dia do combate à obesidade fosse 11 de novembro, e não de outubro, como no nacional, pois o objetivo foi dar mais tempo para a discussão. Ele criticou a cultura da estética, que dá mais oportunidade às pessoas mais magras.

Fonte: Alepi

Fonte: Alepi

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