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Pacto Nacional pela Vida morreu no chão do hospital

Políticos apenas tentam brechas nos decretos para beneficiar segmentos e categorias

Toda esforço dos profissionais da UPA do Promorar não foi suficiente para salvar mais essa vida

Toda esforço dos profissionais da UPA do Promorar não foi suficiente para salvar mais essa vida Foto: Instagram

O governador Wellington Dias decretou lockdown parcial no Piauí, desta quinta-feira (18) até domingo (21). A Assembleia Legislativa aprovou por unanimidade a antecipação do feriado do Dia do Piauí, mas o Pacto Nacional pela Vida, proposto pelo governador no começo da semana, foi ignorado por várias instituições e autoridades e "fez água". Como disse e repetiu o especialista, "não adianta colocar o balde embaixo do vazamento... é preciso consertar a torneira".   

O deputado João de Deus (PT) lembrou que desde o começo da pandemia e da decretação das primeiras medidas sanitárias e de segurança para conter o avanço da Covid-19, ainda em 2020, vários setores da sociedade se manifestaram contra a inclusão deste ou daquele segmento da economia entre os considerados não essenciais e, portanto, obrigados a fecharem as portas nos dias de isolamento obrigatório. Alguns políticos, lamentou João de Deus, vêm tentando abrir brechas nos decretos para beneficiar esse ou aquele segmento da economia e categoria profissional.   

Donos de bares, casas de shows, restaurantes e similares – e os trabalhadores desses estabelecimentos - foram os primeiros a ocupar e interditar ruas e avenidas em Teresina, com faixas e carros de som, promovendo manifestações contra gestores públicos, principalmente o governador Wellington Dias. O então prefeito de Teresina, Firmino Filho, chegou a ser vítima de atentado ao  ter a casa cercada e atingidas por rojões disparados por manifestantes mais exaltados.

Farinha pouca meu pirão
Os protestos nas ruas se multiplicaram e ganharam voz no Legislativo. Vereadores, deputados e senadores - alguns já mirando a sucessão eleitoral de 2022 - discursaram no parlamento e nas sessões virtuais contra as restrições. Hoje, esses mesmos políticos - que descaradamente tentam puxar a brasa para a sua sardinha ao defender a inclusão de setores como essenciais, dessa ou daquela categoria como prioritária para vacinação contra a Covid-19 - usam as redes sociais para atacar os decretos, medidas que têm se mostrado ineficazes para evitar a “tragédia maior” - citada pelo governador Wellington Dias ao defender medidas de isolamento,  protocolos nacionais contra a Covid-19. 

Enquanto Bolsonaro muda ministro ao invés de comprar vacina, o País assiste a recordes sucessivos de mortes e infectados. A situação no Piauí e no Brasil é gravíssima. São 18 estados com a saúde em colapso, com taxa de ocupação de leitos hospitalares acima de 90%. Portanto, não é hora para propor privilégio.

Colapso na saúde
A deputada Lucy Soares (PP) esteve em um desses hospitais públicos que atendem a pacientes com Covid-19 e testemunhou que por lá a situação é muito pior do que a relatada nos boletins diários da Saúde. Faltam insumos, como os anestésicos para intubação dos pacientes graves e até oxigênio; profissionais médicos, enfermeiros e auxiliares trabalham estenuados em plantões seguidos [porque não há profissionais para substituí-los]; as mortes de infectados se multiplicando nas UTIs, nas enfermarias e agora nas filas de espera dos hospitais colapsados; congestionamento de rabecões nas portas dos necrotérios esperando defuntos e os cemitérios abarrotados de corpos e cruzes sem mais espaços para novas covas.

Manifestantes baladeiros
Enquanto padrinhos desavergonhados  tentam privilégios para seus afilhados, mais de 3.720 famílias choram seus mortos no Piauí – e 278 mil no Brasil.

No meio dessas pessoas que se vestem de preto para protestar contra o prefeito, o governador [o que seria um direito não fosse a necessidade do isolamento social nestes dias de pandemia] existem aqueles que continuam nas ruas, não pela necessidade de trabalhar para manter suas famílias, mas por  serem baladeiros, frequentadores inconsequentes das festas clandestinas, onde bebem, fumam... sem máscaras e sem responsabilidade. 

Fonte: Redação

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