Firmino reage à provocação de empresário: "penso com a cabeça e não com o bolso"

"Aqueles que pressionam pela reabertura do comércio não vão para o balcão atender, nem deixam o filho fazer isso"

Prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB)

Prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB) Foto: Ascom/PMT

Em mais uma live, das dezenas de videoconferências, entrevistas on line que fez ao longo destes mais de dois meses de isolamento social e fechamento do comércio e de atividades não essenciais em Teresina, o prefeito Firmino Filho (PSDB) avisou: não vai ceder à pressão de ninguém. Nem de empresários, muito menos de políticos, seja da base ou da oposição, para reabrir o comércio. “Temos que pensar com a cabeça e não com o bolso”, repetiu várias vezes o prefeito durante a coletiva.

Na entrevista virtual desta sexta-feira (29), Firmino apresentou os protocolos para a retomada gradual da atividade econômica na capital
e reagiu à pressão do presidente da Federação do Comércio do Estado do Piauí, advogado Valdeci Cavalcante, que foi para a porta do Palácio da Cidade e fez passeata no Centro Comercial de Teresina na manhã de quinta-feira (28), incentivando a reabertura das atividades no Piauí, mesmo sem a autorização do poder público. 

Firmino Filho foi incisivo ao ser questionado sobre a atitude do presidente da Fecomercio. Segundo o prefeito, os empresários que pressionam pela abertura do comércio são aqueles que “não vão para o balcão atender”, nem deixam os filhos fazer isso. 

Retomada gradual da economia

Sobre a reabertura das atividades, suspensas há mais de 70 dias conta dos decretos estaduais e municipais impondo o isolamento social para barrar o avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), Firmino Filho explicou que uma consulta pública vai ouvir a população sobre o retorno dessas atividades, obedecendo a critérios baseados nas recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

"São sete indicadores e quatro fases, mas essas ações não dependem só do Poder Público. Alguns dependem do setor privado e outros, da sociedade. Devemos fazer tudo com responsabilidade para que não tenhamos retrocessos. E é fundamental que a gente possa assumir e compartilhar responsabilidades e riscos. Cabe ao poder público planejar, colocar visões de futuro e diretrizes para que a sociedade possa trilhar esse caminho. Novos hábitos deverão ser assumidos por toda a sociedade”, defendeu.

“Iremos abrir na próxima semana consulta pública para que a população possa participar e avaliar o planejamento para o retorno das atividades econômicas. Devemos atuar conjuntamente, compartilhando responsabilidades e mitigando riscos associados à Covid-19. É muito importante que possamos trabalhar na construção de uma ordem e orientações de todo o processo. Cada atividade deve ter seus protocolos específicos e cada empresa precisa ter um Plano de Segurança para guiar a rotina e o dia a dia. Para que a gente possa conviver com esse risco, que será permanente nesse novo normal, é essencial atender aos protocolos”, acrescentou Firmino Filho.

“Esses (critérios) se baseiam na relevância das empresas dentro das atividades econômicas. O primeiro, a geração de emprego e o segundo o grau de risco de contaminação no ambiente funcional. Os critérios serão não só internos, mas também de circulação na cidade. A construção civil, por exemplo, dispersa as pessoas ao longo da cidade, enquanto o comércio no centro aglomera, tudo isso será levado em conta”,  adiantou o prefeito.

“Vamos almoçar e jantar esses indicadores, para estarmos seguros para retornar. Até agora, Teresina está ok somente no item de capacidade de leitos de observação e enfermaria, precisamos dos outros seis itens”, acrescentou Firmino. “Se houver retrocesso no número de casos, passa para a fase seguinte. Mas se houve um problema, aparecimento de novo surto, podemos retroceder”, avisou o prefeito.

Entre os protocolos a serem adotados pela Prefeitura de Teresina antes da reabertura das atividades hoje fechadas estão:  medir e monitorar a taxa de reprodução da doença; reduzir o número de internações; diminuir o número de óbitos; avaliar a capacidade de leitos de observação e enfermaria; considerar capacidade de leitos de UTI; fortalecer a capacidade de testagem; ampliar a capacidade de rastreamento de contatos.

"Só abriremos quando existir uma segurança maior, com base na avaliação de várias questões, como a diminuição da curva de hospitalização, de casos e de mortes; a oferta de leitos de observação e de UTI, que deve ser de 30%, no mínimo; o fortalecimento da capacidade de rastreamento dos contatos; e o aumento da testagem, estratégia principal para a contenção da disseminação do vírus. O ideal dever ser, no mínimo, 1.000 testes por dia”, defende o prefeito.

A prefeitura definiu sete parâmetros a serem observados antes da reabertura gradual das atividades econômicas em Teresina:  

1- Monitoramento da taxa de propagação da Covid-19, com pesquisas de investigação sorológica. Quando a taxa for menor que 1, a disseminação da doença estará controlada;

2 – Diminuição do número de internações. Só poderão ser reabertas as atividades com segurança, quando existir uma queda na quantidade de pessoas internadas;

3 – Diminuição do número de óbitos, que ainda é crescente na capital;

4 – Disponibilidade acima de 30% do leitos de observação e de 30% de leitos de enfermaria;

5 – Disponibilidade acima de 30% dos leitos de UTI;

6 – Aumento da quantidade de teste para Covid; e

7 – Rastreamento das pessoas contaminadas e das suas famílias.




Fonte: Paulo Pincel

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