Delator da Odebrecht oculta informações e beneficia Ciro


Ciro Nogueira, segundo PF, recebeu R$ 6 milhões de propina

A Polícia Federal afirma que um ex-executivo da Odebrecht, durante a delação premiada, ocultou informações e beneficiou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. Ciro Nogueira recebeu R$ 6 milhões em propina para aprovar projetos de interesse da Odebrecht.

A informação foi divulgada em uma reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, na noite desta segunda-feira (11), e no portal G1.

Confira a reportagem do G1:

A Polícia Federal afirma que um ex-executivo da Odebrecht ocultou informações na delação premiada e beneficiou o senador Ciro Nogueira(PP-PI), presidente do Progressistas.

O relatório é sobre a investigação de pagamentos de propina relatados na delação de ex-executivos da Odebrecht.

No documento, a Polícia Federal afirmou que os repasses destinados ao presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, foram feitos com a ajuda da Transnacional. A empresa de transporte de valores era usada por doleiros a serviço de empresas alvos da Lava Jato, entre elas a Odebrecht.

No documento, enviado ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF detalha os pagamentos ao senador para que ele atuasse para aprovar projetos de interesse da Odebrecht no Senado. E registra o endereço de entrega que consta dos sistemas dos doleiros e da Transportadora.

O delegado Albert Sérvio de Moura diz que neste imóvel “residia no ano de 2014 o filho do sr. Lourival Ferreria Nery Júnior, assessor de Ciro Nogueira, cujo nome também figura nas sucessivas planilhas da Odebrecht”.

A PF diz que R$ 6 milhões foram destinados a um grupo de parlamentares. Mas o delator Claudio Mello Filho decidiu repassar o valor somente a Ciro, identificado nas planilhas com o codinome “Piqui”.

Claudio Mello Filho decidiu que o dinheiro seria destinado integralmente ao parlamentar e amigo Ciro Nogueira.

“Tal fato – a destinação de valores a Ciro Nogueira à revelia de Marcelo Odebrecht – explica a absoluta omissão de Claudio Mello Filho no que se refere aos 12 pagamentos do ‘programa piqui'”, diz o documento.

A Polícia Federal pediu uma acareação entre Claudio Mello Filho, Marcelo Odebrecht e Carlos Fadigas, também delatores da Odebrecht e envolvidos na liberação desses R$ 6 milhões.

A ideia é colocá-los frente a frente para saber sobre os pagamentos a Ciro Nogueira e também sobre a suspeita de omissão do delator. A decisão será do ministro Fachin.

Ciro Nogueira é investigado em outros quatro inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Em um deles, a denúncia já foi apresentada e aguarda decisão do tribunal.

Saiba as versões dos citados na reportagem:
Em nota, a assessoria de Ciro Nogueira enviou a seguinte nota: “O senador Ciro Nogueira confia na apuração da Justiça e acredita que as investigações irão, mais uma vez, comprovar a sua inocência.”

Procurada, a defesa de Carlos Fadigas informou que não iria se manifestar.
A Odebrecht enviou a seguinte nota: “A Odebrecht não comenta os termos de colaborações individuais. A Odebrecht tem colaborado de forma eficaz com as autoridades em busca do pleno esclarecimento dos fatos narrados pela empresa e seus ex-executivos. A Odebrecht já usa as mais recomendadas normas de conformidade em seus processos internos e segue comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente.”

O Jornal Nacional procurou as defesas de Marcelo Odebrecht e Cláudio Melo Filho, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

O Jornal Nacional não localizou a defesa da Transnacional.

 

 

 

 

Fonte: G1